Adolescentes e o Digital: Estamos Preparados Para Orientar e Apoiar?
- Claudia Guglieri
- há 9 minutos
- 2 min de leitura

Ao assistir à série inglesa "Adolescência" na Netflix, percebi o quanto nós, adultos maduros, estamos despreparados para lidar com os jovens nativos digitais com quem convivemos. Estamos tateando, tentando compreender esse universo e acompanhar seus movimentos.
Para eles, os espaços digitais são ambientes naturais, onde se relacionam, buscam informações, descobrem aplicações, encontram recursos e até apoio. Tudo isso de uma forma muito diferente da que vivenciamos em nossa juventude. A rapidez com que se apropriam dessas ferramentas pode, aos nossos olhos, parecer absurda e até desconcertante.
Atualmente, quando ouço um jovem dizer que se aconselha com a inteligência artificial, outro contar que foi acolhido por um grupo online que influencia suas escolhas, ou ainda relatos animados sobre amizades construídas quase exclusivamente no digital, lembro-me do meu avô, que, ao ver um homem pisar na lua, dizia: "Isso não é possível!" O desafio que vivemos hoje é comparável: aceitar uma nova realidade que rompe com tudo o que conhecíamos.
Além disso, há jovens que apresentam urgências e excessos, comportamentos que podem ser interpretados como um vício em estímulos e nas recompensas imediatas que recebem online. Esse, no entanto, é um tema complexo, que merece uma abordagem à parte.
O que quero destacar hoje é o caráter irreversível da era digital. Precisamos aceitá-la e encontrar formas de nos inserir nesse contexto, à nossa maneira, para compreender o que nossos filhos estão vivendo e, assim, ajudá-los a estabelecer parâmetros saudáveis.
Nem tudo é vício; em muitos casos, trata-se apenas da naturalidade de uso. O problema é que, muitas vezes, os jovens não sabem medir a extensão desse uso, pois não possuem referências claras — e nós, adultos, tampouco.
Temos muito a aprender para podermos estabelecer novos parâmetros, regras e medidas que auxiliem nessa jornada. Mas será que nossa resistência ao novo nos permite dar esse salto? Como mãe, terapeuta e orientadora, sigo nessa busca, tentando me manter aberta e oferecer o suporte mais adequado possível aos jovens que acompanho.
E você? Como tem enfrentado esse desafio?
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